“Não falamos português, falamos brasileiro!”, diz Eni P. Orlandi, autora do livro Língua Brasileira e Outras Histórias. A autora tem também um artigo publicado intitulado Língua Portuguesa, na revista Ciência e Cultura. Nele, a autora afirma que a dúvida sobre qual idioma nós falamos é antiga! Segundo ela, “esta é uma questão que se coloca desde os princípios da colonização no Brasil”.
“A língua brasileira, ou o português no Brasil, não é apenas uma contextualização do português de Portugal; ela é uma historicização singular, efeito da instauração de um espaço-tempo particular diferente do de Portugal. Espaço-tempo que se caracteriza pela forte unidade da língua brasileira na representação do imaginário nacional. Em países de colonização, como o Brasil, dá-se o processo do que chamamos heterogeneidade lingüística pelo qual a língua funciona em uma identidade dupla. Desse modo, línguas que são consideradas as mesmas, porque se historicizam de maneiras diferentes em sua relação com a formação dos países, são línguas diferentes. Ou seja, falamos a ‘mesma’ língua, no caso do português do Brasil e o de Portugal, mas falamos diferente.” (Fonte: Enciclopédia das Línguas no Brasil)
Para Orlandi, a língua brasileira é tão diferente da portuguesa quanto o latim é do português. A Revista Galileu de outubro dá alguns exemplos das diferenças entre a “mesma língua”! Quem for assinante pode ler a matéria aqui, se não for seu caso, aqui vão alguns exemplos:
Tempos Compostos
A preferência nacional é por tempos construídos com dois verbos, enquanto o português prefere os tempos simples
Brasileiro – “Vai passar nessa avenida um samba popular”
Português – “Passará nessa avenida um samba popular”
Topicalização
Em terras brasileiras, costumamos repetir parte das frases de maneiras diferentes
Brasileiro – “O menino, ele saiu depressa”
Português – “O menino saiu depressa”
Gerúndio
Nós preferimos dizer no gerúndio, e o português, no infinitivo
Brasileiro – “Às vezes no silêncio da noite, eu fico imaginando nós dois”
Português – “Às vezes no silêncio da noite, eu fico a imaginar nós dois”
Discurso
O jeito de pensar, construir as frases e os significados é diferente entre brasileiro e português
Brasileiro – “A coxinha acabou”
Português – “Temos coxinha, mas acabou”
Pronomes
O brasileiro gosta de colocar o pronome antes do verbo e o português, depois
Brasileiro – “Deixa disso, camarada, me dá um cigarro”
Português – “Deixa disso, camarada, dê-me um cigarro”
Significados
E as duas línguas tem a mesma palavra, mas com definições diferentes
Brasileiro: Bizarro (com o sentido de esquisito, com aspecto estranho)
Português: Bizarro (com o sentido de bem equipado, bem-apessoado)
Segundo a revista, não chega a ser um problema essas diferenças, “é apenas o nosso jeito de falar”.
Porém, em alguns casos chega a ser engraçado. Por exemplo, se esse blog estiver sendo lido por um português, e eu escrever que é melhor que ele tome uma pic* no c*, ele vai procurar um médico. Se for um brasileiro, vai entender porque eu coloquei esses asteriscos no meio!








Bruno Cardoso
- Mestrando em comuni- cação, jornalista, tecnólogo da informação, blogueiro e pesquisador de novas tecnologias aplicadas à comunicação. Um (quase) geek intelectual
23/10/2009 às 8:32 am
[...] This post was mentioned on Twitter by Bruno Cardoso and Kelly Veiga, José Vinícius. José Vinícius said: RT: @ojornalistacom: Nossa Língua Brasileira? – http://migre.me/9Jdg [...]
25/10/2009 às 12:10 am
Realmente o português falado no Brasil e em Portugal são muito diferentes, e os exemplos dados mostram claramente essa diferença.
Parabéns pelo artigo, simplesmente ótimo!
Abraços.
19/02/2010 às 2:37 pm
LOL! Por amor de Deus… Os exemplos dados são completamente absurdos! Bizarro também se usa em Portugal com o mesmo sentido que no Brasil! Em português de Portugal seria: “Deixa-te disso camarada, dá-me um cigarro”
Realmente a maior parte de vocês não sabe é falar nem escrever, seja em português de Portugal, português do Brasil ou “brasileiro”…
13/07/2010 às 5:28 pm
Sou a favor de um Manifesto pela Língua Brasileira.
Além dos pontos mencionados acima, temos inúmeras palavras de origem indígena e regionais. Outro dia vi uma entrevista com Saramago e foi necessário que se escrevesse em brasileiro o que ele estava dizendo, a pronúncia portuguesa além de difícil é intragável para nosso ouvidos.
Sou a favor da independência de nosso idioma, pois se não ocorrer agora eventualmente ocorrerá no futuro a medida que as distâncias se agravarem.
Sou a favor agora, porque somos uma potência econômica muito mais relevante do que Portugal. Também pq nossa autoestima enquanto nação será fortificada com nossa própria lingua.
Sugiro uma mobilização nacional.
Sds, David
07/09/2010 às 10:39 am
Bem, eu sou portuguesa e desde já gostaria de vos elucidar que Bizarro nada tem a ver com o que aí está escrito, pois tem exactamente o mesmo significado que no Brasil (não sei onde foram buscar esse sinónimo, mas tudo bem).
Relativamente ao facto de quererem tornar o brasileiro numa língua autónoma e própria, não acho que seja correcto fazê-lo, pois neste momento nem de uma língua se trata, mas sim de um dialecto e de uma derivação do Português.
O Português é uma língua extremamente rica, o que a torna também um pouco complicada. Contudo, o facto de ter um grau de dificuldade elevado, leva a que os portugueses sejam mais propícios à aprendizagem de novas línguas. O que no Brasil não acontece, pois é clara a vossa dificuldade em pronunciar e falar o inglês, por exemplo.
Quando refere que o Brasil é uma potência económica mais relevante que Portugal, tudo bem, concordo plenamente, mas isso não significa que terão de impor o vosso dialecto para se poderem afirmar perante Portugal. Se têm essa necessidade, apostem noutras vertentes, mas não venham assassinar uma língua tão completa como é a minha.
Cumprimentos
14/10/2010 às 8:14 am
Este artigo nem é bom para os brasileiros, porque dá a entender que têm um complexo de inferioridade ou superioridade em relação aos portugueses. Tanto é, que tudo o que vem de nós é mau, e todos os demais que completaram o processo de “colonização”, como os Holandeses, é que é melhor, e há uma certa “submissão” por esses valores meios racistas e discriminatórios, e sem misturas, que era e é normal nos holandeses a alemães. Este artigo revela falta de raciocínio, e pior ainda, uma profunda falta de cultura, de quem não conhece a língua portuguesa no seu âmago, nem quer conhecer porque sofre de um síndrome de complexo. Até pode haver uma língua brasileira, mas por favor, que não se baseie um único por cento no português. Ou então que seja uma mistura de todas as línguas dos países colonizadores, e de que nada se entenda quase se fala. Aí tudo bem. Se o autor se refere ao português do Brasil, que se ouve no brasileiro comum, então que pense melhor e investigue mais a fundo. Se o autor deste artigo viesse para Portugal estudar a língua que vigora no seu país, veria que neste país de dimensões tão pequenas, as diferenças de pronúncia, termos, expressões, do Português, são tão profundas de região para região, que parece nem parece a mesma língua. Mas é Português. Assim, como é português a língua que se fala em alguns países de África, com ou sem a sua pronuncia e regionalismos. Independentemente da sua evolução, o adn da língua portuguesa está lá (como na língua portuguesa, está o latim)…Os brasileiros que têm tanta a mania de preservação de identidade e da sua história, querem negar a sua língua, por teimosia, maldade ou complexos. É o mesmo que um homem de sangue brasileiro, fosse para o estrangeiro, adoptasse a nacionalidade do país que o acolhe, e negasse as suas origens de sangue. Não deixa de ser brasileiro. É um adn que não se apaga. Falem da língua brasileira que não seja a da portuguesa. Aí estaremos entendidos.
02/12/2010 às 8:06 pm
mas isso não significa que terão de impor o vosso dialecto para se poderem afirmar perante Portugal.
E alguém quer impor dialeto algum aos portugueses?
Que eu saiba são os portugas que querem imitar a nossa maneira de escrever com esse acordo, porque só assim poderão “colar na aba” da potência econômica.
01/01/2011 às 6:23 am
Chamem-me de ignorante, não me importo, mas estou totalmente de acordo com o autor que chama a língua falada no Brasil de BRASILEIRO. Ontem, quando não éramos nada, os portugueses diziam com um certo tom de arrogância e de desprezo que falávamos brasileiro. Agora que finalmente avançamos como nação e eles tomam o caminho contrário – tornando-se a vergonha da União Européia – criticam-nos por termos concordado com o que nos diziam no passado. Agora todos acham que falamos português porque somos percebidos como a locomotiva econômica desse clube de pobres que chamam de “comunidade lusófona”. E o mais revoltante é que vivem a dizer que somos assassinos da língua que se julgam donos, como se fosse possível uma língua ter dono, afinal, a língua é de quem a fala. Se pisoteamos sua “Linda Flor do Lácio”, ora pois, que deem-se por felizes que não mais terão de se preocupar com o que fazemos de NOSSA língua quando oficializarmos a independência linguística brasileira. Aliás, eles dizem que corrompemos seu glorioso idioma esquecendo que eles próprios corromperam o latim até começarem a falar o que chamam hoje de português. Pois que nos deixem em paz para fazer dessa “língua base” que deles herdamos o que nos aprouver. Sim, eu falo BRASILEIRO!
20/01/2011 às 6:45 pm
“O Português é uma língua extremamente rica, o que a torna também um pouco complicada.”
Engana-se. O português é um idioma muito simples. Não tem declinações, não tem casos e os tempos verbais são os mesmos que existem em qualquer idioma indo-europeu. Só quem não conhece rigorosamente nada de outros idiomas e culturas, como a quase totalidade dos portugueses, pode afirmar uma asneira monumental como esta.
” Contudo, o facto de ter um grau de dificuldade elevado, leva a que os portugueses sejam mais propícios à aprendizagem de novas línguas”
?????? Isso é alguma piada?
Gostaria que assistissem ao sr. Cristiano Ronaldo ou o sr. Mourinho falando em inglês para verem como eles têm essa “facilidade” para aprender idiomas…….
Já estive em Portugal a trabalho, conversei com vários colegas da minha área (estudantes e profissionais) e o único idioma que o estudante português conhece é o inglês (e conhece mal). Nem espanhol eles falam direito, e isso que a maior parte das grandes empresas do país ou são espanholas ou foram compradas por espanhóis. Já os outros europeus conhecem relativamente bem várias línguas, com a exceção dos ingleses, que são mais fechados culturalmente.
Enfim, sou brasileiro, não concordo muito com o que está escrito aí, mas também não entendo o porquê dessa obsessão meio patética dos portugueses para conosco. Aqui em momento algum se falou em mudança no portuguÊs de Portugal, estamos preocupados com o que se fala no Brasil e apenas isso. Nada mais.
20/01/2011 às 6:53 pm
Ah, e a propósito: alguém aqui falou em colonização, ou passado, ou sei lá o quê? O que se fala no texto é de aspectos fonológicos, sináticos e semânticos e nada mais!
Que coisa….
Ah, e concordo com muito do que disse o Gil. Os portugueses agora querem a todo custo “colar na nossa aba” (como alguém disse lá em cima) e reclamam que não queremos saber deles. Engraçado, não?
26/01/2011 às 3:07 pm
Deixem-se disso! Estamos todos a escrever português, ou não? Senão como estaríamos a argumentar todos neste blog, sem grandes problemas de compreensão escrita?! Eu não aprendi ‘brasileiro’ na escola, nem costumo falar muito com brasileiros, e não tenho dificuldade em ler o que escreveram aqui. Já entender o falar pode se mais complicado, pois depende da região do Brasil. Da mesma forma que tenho dificuldade em entender portugueses de determinadas regiões, como alguns açoreanos, trasmontanos ou madeirenses. Há diferenças, claro que sim, sobretudo nas expressões e na fala do dia-a-dia, dentro e fora de Portugal. Essas diferenças esbatem-se no português literário, no português mais cuidado.
08/02/2011 às 3:13 pm
ESTOU COM DUVIDAS…………
ENTAO EXISTE LINGUA BRASILEIRA E PORTUGUESA……….
leiam o seguinte texto: 15h15|Cerimónia de Outorga das Insígnias de Doutor Honoris Causa aos Doutores Giulia Lanciani, Professora Catedrática de Língua Portuguesa e Brasileira da Universidade de Roma Tre, Herman Prins Salomon, Professor Catedrático de Estudos Holandeses e Portugueses na State University de Nova Iorque em Albany, e Vítor Aguiar e Silva, Professor Catedrático da Universidade do Minho. Aqui deixo uma info: Língua Portuguesa e Brasileira? Well, devias enviar um email à universidade? O texto completo segue em anexo… Eis… From: Divulgação de Actividades Culturais na Universidade de Lisboa Date: 2011/2/7Subject: CONVITE:. Cerimónia de Outorga das Insígnias de Doutor Honoris Causa – Quarta-feira, 16 Fev. 2011 | 15 horas | Salão Nobre da ReitoriaTo: “u.l.actividades_culturais@listas.ul.pt” O Reitor da Universidade de Lisboa tem a honra de convidar V.ª Ex.ª para a CERIMÓNIA DE OUTORGA DAS INSÍGNIAS DE DOUTOR HONORIS CAUSA 16 de Fevereiro de 2011, quarta-feira | Salão Nobre |15h Programa 14h10 |Recepção dos convidados com a participação da Inoportuna, Tuna da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. 14h40 |Formação do Cortejo Académico (Reitoria Sala do Senado). 14h55 |Início do Cortejo Académico. Sessão Solene Salão Nobre 15h00|Coro da Universidade de Lisboa DirecçãoMaestro Luís Almeida 15h05|Abertura da sessão pelo Reitor da Universidade de Lisboa, Prof. Doutor António Sampaio da Nóvoa. 15h15|Cerimónia de Outorga das Insígnias de Doutor Honoris Causa aos Doutores Giulia Lanciani, Professora Catedrática de Língua Portuguesa e Brasileira da Universidade de Roma Tre, Herman Prins Salomon, Professor Catedrático de Estudos Holandeses e Portugueses na State University de Nova Iorque em Albany, e Vítor Aguiar e Silva, Professor Catedrático da Universidade do Minho. Os laureados serão apadrinhados, respectivamente, pelos Professores Catedráticos Ivo Castro, António M. Feijó e Helena Buescu, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. 16h40 |Encerramento da Sessão Solene. 16h40 |Coro da Universidade de Lisboa DirecçãoMaestro Luís Almeida À cerimónia seguir-se-á um Porto de Honra (Átrio dos Passos Perdidos da Reitoria). _________________________________________ Cortejo Académico: Traje académico com insígnias. Formação do cortejo académico, às 14h40. Recepção de convidados, das 14h00 às 14h55. Entrada por convite ou livre, sujeita à lotação da sala. R.S.F.F.:Até ao dia 14 de Fevereiro. REITORIA – Núcleo Cultural do DRE.Tel. 21 011 34 06 | nucleocultural@reitoria.ul.pt Mais informações em:http://www.ul.pt/portal/page?_pageid=173,1291182&_dad=portal&_schema=PORTAL Esta mensagem está de acordo com a legislação europeia sobre o envio de mensagens comerciais: ”Qualquer mensagem deverá estar claramente identificada com os dados do emissor e deverá proporcionar ao receptor a hipótese de ser removido da lista.” (Directiva 2000/31/CE do Parlamento Europeu; Relatório A5-0270/2001 do Parlamento Europeu). Para remover o seu contacto, caso não pretenda voltar a receber informações nossas, basta que clique aqui e envie o e-mail com o corpo da mensagem em branco. _______________________________________________U.L.Actividades_Culturais mailing listU.L.Actividades_Culturais@listas.ul.pthttp://listas.ul.pt/mailman/listinfo/u.l.actividades_culturais
20/03/2011 às 8:22 am
Concordo que exista a uma língua chamada brasilês/brasileira/brasileiro, mas só daqui a uns 500 anos.
Até lá vou concordando que há uma língua portuguesa falada com características angola, brasileira, cabo-verdiana, guineense, moçambicana, portuguesa, são-tomeense etc.
Característica, regionalismo é o que há.
03/04/2011 às 7:16 am
Ah!Ah!Ah! Há algum tempo venho falando que de colonizados passamos a ser os colonizadores e que o digam os jornais ingleses através de seus colunistas políticos que estão aconselhando a Dilma a anexar Portugal ao Brasil para salvar a nau Catarineta dos Lusitanos. Acabo de registrar e disponibilizar na Internete o Idioma Brasileiro Livre cuja Nomenclatura gramatical foi enriquecida com sistemas de ensino, estudo, pesquisa e análises e estas matérias a lingua lusitana não tem e não poderia ter pois não nasci em Portugal. O conteudo do site http://www.oaieme.com se constitue de 24 titulos e mais de cem páginas de relevantes assuntos.Independência ou Sorte. vamos conferir?
11/04/2011 às 10:35 pm
Esse artigo é lamentável! Exemplos banais e sem sentido! Não porque usamos, às vezes, vocabulário diferente que a língua tem de ter outro nome. Entendemo-nos. Se fôssemos levar isso a sério, diria que o português falado em São Paulo é uma língua separada daquela que se fala no Rio Grande do Sul. Falamos todos, brasileiros e portugueses, língua portuguesa.
Parece que no Brasil, ignorância é “identidade cultural e nacional”. Fala-se mal no Brasil porque nossa educação é horrível!
23/05/2011 às 5:11 pm
“Fala-se mal no Brasil porque nossa educação é horrível!” … essa é a dura e triste verdade deste país de “semi-alfabetizados” .
A julgar pelo andar da carruagem, o que está ruim vai ainda ficar pior, com as posturas daqueles que representam o MEC, órgão responsável pela qualidade do ensino no país. Depois …. nem sei mais o que restará às futuras gerações, quem sabe os grunhidos dos ancestrais cavernosos “gruf…argh…grauc … pqp!
12/07/2011 às 9:21 pm
A definição de uma língua autônoma é uma questão muito mais política e cultural do que linguística. O holandês, o alemão, o sueco, o dinamarquês e o norueguês poderiam ser considerados dialetos de uma mesma língua, mas a necessidade e o desejo de uma autonomia cultural e política, de uma indenpendência enquanto povo com uma certa identidade, fazem com que se demarquem os idiomas e se criem tradições literárias, artísticas, científicas etc em cada um deles. Em termos linguísticos, portugueses e brasileiros falam dialetos de uma língua lusófona, sendo que não se pode falar de um dialeto de maior valor ou mais completo do que outro. Cada um atende à sua comunidade. Sou contra a ideia de que Portugal é dono da língua, pois de fato não é – o maior emissor de lusofonia é o Brasil -, mas sou igualmente contrário à postura arrogante de muitos brasileiros, que se baseiam em ideias anacrônicas de superioridade baseada no capital. A denominação da língua falada no Brasil deve ser definida pelos brasileiros, mas não é necessário nenhum tipo de ataque nem de argumentos grosseiros contra Portugal e os dialetos lá falados.
24/07/2011 às 5:42 pm
Para começar, os brasileiros falam Português. Os Portugueses falam Português. Os exemplos dados aqui neste site não pertencem a nenhuma língua que eu conheça, por exemplo:
– “Deixa disso, camarada, dê-me um cigarro” – língua inventada pela autora deste artigo.
Em Português:
- “Dê-me um cigarro”
Brasileiro: Bizarro (com o sentido de esquisito, com aspecto estranho)
Língua inventada pela autora deste artigo: Bizarro (com o sentido de bem equipado, bem-apessoado)
Português: Bizarro (com o sentido de esquisito, com aspecto estranho).
Os brasileiros falam Português, assim como os americanos e os australianos falam Inglês. Dizer que os brasileiros falam “brasileiro” é a mesma coisa que dizer que os mexicanos falam mexicano em vez de Espanhol, resumindo a pessoa que disser isso tem um QI três vezes menor que uma mosca mentalmente deficiente.
29/09/2011 às 10:14 pm
Aos luso-parlantes (americanos e portugueses):
O professor Carlos Garrido, da Universidade de Vigo afirma e eu concordo que as duas “formas” da língua descendem de uma língua comum, derivada do canto nor-ocidental do latim na Península Ibérica. Concordo que o brasileiro médio não sabe mais a língua. Não fala mais português. Nem “brasileiro”. Vejamos o que o professor diz:
“A doutrina que sustenta a CL-AGAL (integrada no movimento cultural
denominado “reintegracionismo lingüístico galego-português”), baseada
na observaçom da realidade lingüística atual e histórica e defendida
por inúmeros vultos da cultura galega e portuguesa (a este respeito,
referências indispensáveis som Manuel Rodrigues Lapa, pola parte
portuguesa, e Ricardo Carvalho Calero, pola parte galega), é que
galego, lusitano e brasileiro são variedades ou normas da mesma
língua, língua que nasceu como diferenciaçom do latim no canto
nor-ocidental da península ibérica, no território da antiga Gallaecia.
Esta língua conhece-se internacionalmente sob o nome de “português”, e
na Galiza, habitualmente, sob os nomes de “galego-português” ou,
simplesmente, de “galego”.
Português continental, brasileiro e o galego são a mesma língua. Percebam isto quando usarem o navegador Chrome, do Google. Com motor de tradução instalado. Qualquer pessoa que mudar de página, do português (daqui ou de Portugal) para o Galego, vai perceber que o programa não percebe diferença e não apresenta a interface de tradução. Em suma: a máquina contou as palavras e concluiu que tratava-se da mesma língua.
Meus primos d’além mar, eu sou um Albuquerque brasileiro que jamais vai negar as origens. Faço parte do Movimento Lusófono. Acredito que os galegos merecem um assento, pelo menos como observadores, na Academia de Ciências de Lisboa, que cuida da língua portuguesa continental. Eu vos compreendo perfeitamente, e, como muitos bralieiros, acredito que os lusos estão certos, quando dizem que estamos a assassinar a língua. Mas a mesma não é deles: é de todos nós. Portuguese, galegos e brasileiros. Aqueles que ainda não esqueceram e tem muito orgulho de falar o português do Brasil, uma derivação original do Galaico-Português. E como tal, língua autônoma. E no entanto, a mesma dos Portugueses. Precisamos aprender a viver com esta contradição. Estamos separados, alguém já disse, pela mesma língua. O que é muito lamentável.
Os portugueses não atracaram as naus e desembarcaram no Brasil no
século XVI a falar como falam hoje. Falavam uma língua muito próxima do galego. Este falar desenvolveu-se nestas terras de modo diverso, da mesma forma que o português original “desprendeu-se” do galego. Não há dialetos, nesta nossa língua. São três (trés) línguas iguais, com três formas de adaptação geograficamente determinadas. É um processo de difusão policêntrico, e quem compreende isto sabe que ninguém é “dono da língua”. Pois ela é pátria de muitos. Como escreveu o vosso amado e grande Pessoa.
04/10/2011 às 1:31 pm
Os exemplos que vêm acima são ridiculos…. e quem os deu demonstra uma tamanha ignorância! Em Portugal quase nunca dizemos “passará” dizemos quase sempre “vai passar”;
No Alentejo (Portugal) também se diz, “fico imaginando” e não “fico a imaginar” . A palavra “bizarro” tem o mesmo sentido em Portugal e no Brasil, a definição acima está errada!!!
Esta ainda é mais estúpida que as outras ” A coxinha acabou”
Português – “Temos coxinha, mas acabou” então se a coxinha acabou, como é que “temos coxinha”!!! Nós dizemos “a coxinha acabou”.
Quando muitas vezes dizemos que vocês falam brasileiro, é uma expressão, senão vejamos: também dizemos que os de Lisboa falam lisboeta, que os da Madeira (Região de Portugal) falam madeirense, que os dos Açores (Região de Portugal) falam açoriano, que os do Alentejo falam alentejano, etc, etc… Não concordo com o artigo, e acho que existe muita gente com complexo… o facto de a nossa língua ser designada de PORTUGUESA, não destrói em nada a ótima imagem do Brasil!! O inglês dos EUA e o inglês do Reino unido, são diferentes, mas são inglês!! Não vejo os americanos diminuídos por isso. Nós vos demos a língua, e vocês amplificaram-na!!!
04/10/2011 às 1:39 pm
Ah!! Ninguém em Portugal diz, “vai tomar uma pic* no c*” essa linguagem é aberrante.
23/01/2012 às 2:57 pm
Espanhol e Espanhol, Ingles e Ingles, Frances e Frances, e Portugues e Portugues, de onde seja.
24/01/2012 às 3:02 pm
O Espanhol de Cuba e bem diferente do Castelhano de Espanha. Mas, os Cubanos nao dizem que falam ‘Cubano’ – eles dizem que falam Espanhol!
Eu ate acho que Espanhol-Cubano e mais distante do Espanhol de Espanha, do que o Portugues-Brasileiro e do Portugues Lusitano.
25/03/2012 às 1:30 pm
Sou portuguesa e estou abismada com os exemplos dados e com o desconhecimento da aplicação do português de Portugal. Sempre fui da opinião que quando não sabemos devemos ficar calados para não passarmos por idiotas.
Quem escreveu esse artigo deveria ter feito antes uma viagem até Portugal ou então deveria ter comprado uma gramática portuguesa.
Só mais um aparte. Que bizarra essa suposta definição do que significa bizarro em Portugal. LOL
É mau de mais.
31/03/2012 às 7:29 pm
Claro que falamos e escrevemos de outra forma, isto ficou bem claro para mim quando fiz uma licenciatura em Portugal, era que escrevesse em português meus trabalhos, os professores foram bem claros, não poderia escrever em brasileiro, diziam eles, aliás as regras gramaticais brasileiras são bem mais elaboradas, e explicativas, os portugueses não sabem o que é paroxítona, acentuam de forma diferente, até porque falam de forma diferente, o sentido muitas vezes são completamente diferentes. E tem mais os portugueses se acham os donos da lingüa(com o trema mesmo, isso é nosso, isso é brasileiro). A reforma ortográfica não faz o menor sentido para nós brasileiros, simplesmente temos que deixar para eles os portugueses, a lingüa deles, de facto (com o ‘c’ que eles tanto apregoam).
Vamos ao manifesto da lingüa brasileira, com nossas regras e deixemos de lado esses chatos
31/03/2012 às 9:12 pm
Sim devemos cuidar da nossa lingüa brasileira, até porque os tugas em números :
10% são ainda analfabetos
80% de abandono escolar, antes do 10 ano (não chegam a 8ª série).
é para isso que eles querem manter a lingüa sob sua tutela?.
Vamos é cuidar do que é nosso, da nossa lingüa brasileira.
Eles se acham donos do português, mas também é uma lingüa que nasceu no galego que ainda se fala na Espanha da Galiza(fronteira com o norte de Portugal).
Muitas vezes perguntei aos portugueses, que lingũa falava o 1º rei de Portugal, a maioria erra, alguns pensavam e arriscavam dizer que era o Português, mas o português como lingüa surgiu uns 300 anos após expulsarem o muculmanos de Portugal, que aliás tinham um império muito mais antigo que os próprios lusitanos e muito foi deixado por esses povos para incrementar o português.
04/04/2012 às 11:35 pm
Como é evidente, no Brasil fala-se PORTUGUÊS! Evidentemente, as duas variantes da língua sofreram alterações em quinhentos anos de História e com um oceano a separar Portugal e o Brasil, mas, o que distingue duas línguas não é o sotaque e sim o léxico e a conjugação frásica. Ora, o léxico e a conjugação frásica são iguais em Portugal e no Brasil. Claro que há diferenças, assim como há diferenças entre o inglês do Reino Unido e o inglês dos E.U.A. O Brasil sofreu a influência das línguas indígenas faladas antes da chegada de Cabral e também das línguas africanas faladas pelos escravos levados pelos portugueses da época. Isso trouxe algumas alterações, mas a substância da língua portuguesa manteve-se.
Sinceramente, custa-me ver tanto nacionalismo exacerbado da parte de alguns brasileiros. Mas, o Brasil precisará de designar a sua língua de “brasileira” para se afirmar? Que falta de auto-estima é essa? O Brasil falar português não é opinião: é facto, goste-se ou não. Por isso, sejamos felizes a falar essa bela língua que é o português e que é falada por mais de 220 milhões de pessoas. A língua portuguesa é tão portuguesa quanto brasileira, por isso, deixe-mo-nos de ódios e ressentimentos colonialistas.